O que você faz quando está em uma banda com mais 30 anos de estrada, tem 11 álbuns de estúdio, um dos shows mais empolgantes da terra e é referência de estilo para umas 7 em cada 10 bandas que tentam a sorte no mainstream? É fácil: qualquer coisa. Em seu décimo segundo disco o U2, definitivamente umas das poucas a ocupar o seleto panteão de mega-bandas da história, não está em sua fase mais criativa, mas no posto de banda líder da geração do ultimo século. A posição é de conforto para Bono e cia. Já fizeram os seus melhores e seu pior disco e cada um dos membros da banda, admirávelmente com a mesma formação desde o início, já se tornou um ícone por sí só. Além disso provaram que puderam se reerguer depois de um fracasso retumbante. E mais impressionante ainda, conseguem isso fazendo mais ou menos a mesma coisa. 'No Line on The Horizon' pode ser visto por alguns críticos como longo, lento e repetitivo, e, de certa forma, eles não estariam errados. Mas com um olhar por outra luz ele pode se mostrar um disco bonito, introspectivo e um dos mais ousados do grupo. Talvez, como diz o próprio título, a linha que divide as coisas só existe se você quiser enxergar assim. De qualquer maneira esse com certeza compete pelo posto de disco com menos singles fáceis da banda. As canções mais 'clássico U2' são longas e cheias de espaços, a ótima sequência 'Magnificent', 'Moment of Surrender' por exemplo, e as mais agitadas são meio estranhas ('Get On Your Boots' pode ser tudo menos uma canção pop grudenta). Alguns temas retornam em algumas das músicas o que dá uma coesão interessante na obra que mostra uma banda não satisfeita em se tornar um pastiche eterno de sí mesma como 'How To Dismantle...' levava a crer. Os erros que podem dar uma irritada, como uma seriedade exagerada e certa sonolência, decorrem de tentativa de mudança o que é sempre desculpável. Obviamente que todo aquele papo sobre pegada mais crua e guitarras Jack White era tudo bobagem, o U2 é uma das poucas bandas que sabem sempre como incorporar o que o são mesmo quando navegam por outras praias. Alguns podem chamar de clichê outros de estilo, mas é possível chegar a um nível onde isso não importe mais. Nas palavras de Gabriel o Pensador: 'Seja você mesmo (mas não seja sempre o mesmo)'. Essa a diferença que entre os que conseguem e os que não. E é por isso que nenhuma dessas bandas novas vai conseguir o posto de 'novo U2'. .
P.S. Eu citei Gabriel o Pensador? Credo estou cada vez pior...
(Clique na capa e veja o clipe de Get On Your Boots)


4 comentários:
Que puxa!
Estou ansiosa pela sua primeira impressão...
Mas já falo uma coisa: Magnificent!!!
hellov guy!!
cade o post do nme awards ....só por q Oasis ganhou de melhor banda nao vai ter ....
rsrsr
Mad Fer It.
Huauhauhau
Farei em sua homenagem!
Gabriel, o Pensador??? realmente vc foi longe... mas ta desculpado!
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