
O que pesa mais? Uma tonelada de chumbo ou uma tonelada de plumas? A
Nacão Zumbi chega a seu sétimo disco de estúdio e o quinto desde a morte de Chico Science. E se você, como eu, achava que a Nação já tinha dado o que tinha que dar,
Fome de Tudo vai te sacudir e mostrar o que uma banda Brasileira, no auto de seu poder de criação, pode fazer quando não é composta por um bando de retardados mentais. Desde o ultimo disco, Futura, os Caranguejos tem tentado dar uma mudada no som, mas aqui eles eles encontraram o tom perfeito. Na busca pelo alimento da alma todas as melodias oscilam entre a crueza e a profundidade, criando camadas de som e percussão muito superiores do que o simples batuque dos discos antigos. Falando em discos antigos, o inimaginável aconteceu: depois de 10 anos
Jorge Du Peixe aprendeu a cantar! Sério! Tá bem, o seu estilo monotom era legal, mas era difícil agüentar aquilo por muito tempo. Agora ele se junta a cozinha perfeita da Nação e encontra uma leveza que antes nem parecia existir. Essa nova faceta encontra expressão máximo no dueto que ele faz com os sussurros da cantora Céu na ótima
“Inferno”. Com melhor controle sobre a barulheira as guitarras de
Lúcio Maia nem tem esforço para aparecer e mostrar porque o cara é, de muito longe, o melhor guitarrista do Brasil. Talvez não o mais virtuoso (leia-se: solo chato de Metal), mas certamente o mais criativo. Falando em criatividade de onde vieram as letras desse disco? Não é qualquer um que sai escrevendo:
Incompletos desejos/ Aos pedaços lhe faço existir/ Um dia aqui um outro ali/ E com fome de tudo de “Onde Tenho que Ir”. As letras são críticas, poéticas ou simplesmente muito legais como em “Assustado”. E tudo isso é amplificado na saidera “No Olimpo” um grande final para um ótimo disco. Um dos melhores do ano. O Maracatu na Nação Zumbi continua pesando uma tonelada, mas agora ela é bem mais colorida.
P.S: Nem vou comentar como é estúpido o nosso país onde as poucas coisas que prestam são solenemente ignoradas ou, o que pior, aquele: Bom disco, para um brasileiro. Não só pela mídia, grande e pequena, mas também pelo povo que só quer saber de tecno-brega e NXZero. Mas isso é uma questão de gosto e não quer dizer nada sobre a mentalidade de ninguém, né?
(Clique na foto e veja o clipe fodão de Bossa Nostra, vale a pena!!)